Pedro Mexia, Diário de Notícias, Lisboa, 2003.
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Eduardo Pitta [...] estreou-se na ficção com as três narrativas de Persona [...] Embora também estivesse presente na obra poética do autor, nessas histórias o universo homossexual era explicitamente tematizado. Agora, Eduardo Pitta alinha algumas ideias sobre esse domínio em Fractura... [...] Esta é ainda uma área de estudos nova entre nós [...] Fractura... é escrito no estilo habitual de Pitta: uma elegantíssima sobriedade, um tom snob e por vezes verrinoso, alguns raciocínios elípticos e justíssimos. Mas ficam por resolver algumas questões centrais: a categoria «gay» [...] a homogeneidade de uma «cultura homossexual» [...] a linha de demarcação entre emancipação e gueto; as estratégias conflituantes da integração e da transgressão; a diferença entre literatura gay e literatura homossexual [...] Aberto o caminho, estas tarefas ficam para próximos trabalhos, do próprio Pitta ou de terceiros.