Pedro Sena-Lino, supl. Mil Folhas, Público, Lisboa, 2004.
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A recepção crítica de Fractura... [...] é já um «case study». A artilharia crítica tem-se debruçado, com espantosa tresleitura, sobre três aspectos absolutamente laterais ao texto. Em primeiro lugar, a crítica à deriva metodológica da própria área de estudos da teoria «queer», de que Eduardo Pitta utiliza o protocolo e o sistema [...] Um segundo aspecto prende-se com a leitura «moral» de determinados autores [...] A leitura «queer» surge, portanto, como fractura [...] Esta parece-me ser a terceira questão: a definição prévia, o denominador mínimo comum, do que os vários lados da barricada podem entender como o objecto dos estudos «queer» [...] Pitta descobre vários motivos, muitos dos quais impressionantes pela sua omnipresença no imaginário português [...] A identificação de supressões que este livro pratica é necessária e revivificadora, apesar das idiossincrasias dos estudos «gay» que podem ferir a sensibilidade (ou o rigorismo teórico) de alguns leitores [...] Discorde-se do objecto ou não, a existência deste ensaio é desde já um marco cultural.