Vasco Graça Moura, in Memórias dos Dias na Poesia Portuguesa, Diário de Notícias, Lisboa, 2005.
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Poesia «firme, brusca e breve, feita de palavras poucas», assim caracterizou Eugénio Lisboa a de Eduardo Pitta, cuja obra tem vindo a manter as características de um expressionismo acentuado, capaz de captar nítidas e aceradas imagens do real, numa espécie de anti-lirismo, porventura bebido nalguma poesia modernista inglesa, mas que não exclui uma grande intensidade concentrada de verso para verso, como que para contrabalançar a efemeridade inevitável dos momentos evocados sem qualquer sentimentalismo, muito em especial os relacionados com a sexualidade e com o encontro amoroso. O sentimento de apatrídia («Apátridas que somos / daquela pátria que nos sobra») não tem apenas a ver com a tardia radicação em Portugal [...] É, talvez mais do que isso, a expressão de uma funda estranheza perante o mundo civil convencionalista e conformado que por cá veio encontrar [...].