João Villalobos, revista Blitz, Lisboa, 2007.
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Com a homossexualidade como pano de fundo, Eduardo Pitta retrata neste romance singular uma Lisboa de privilegiados, onde o amor ocupa um lugar sempre periclitante. [...] Com uma tessitura que atravessa mais de 40 personagens, Cidade Proibida é uma história com muitas histórias lá dentro. Cada uma das figuras carrega com ela um passado, um meio, uma educação que as agrupa em famílias de sangue ou de afinidade, núcleos irredutíveis e protegidos por densas muralhas. [...] Com um peso exagerado dos estrangeirismos compensado por um conhecimento profundo dos hábitos e costumes do meio que retrata, Eduardo Pitta não condescende com sentimentalismos ou redondilhas. O sexo é apresentado a cru, os tiques mostrados sem contemplação, a História portuguesa recente mencionada sem pruridos ou filtros de boa consciência. Por tudo isto, obra de «género» ou não, Cidade Proibida é um romance igual a poucos.