Henrique Raposo, Expresso, Lisboa: 2008.
Print

Acabei de reler o primeiro romance de Eduardo Pitta: Cidade Proibida. A impressão inicial mantém-se: do ponto de vista formal, este livro é uma raridade em Portugal. Pitta sabe contar uma história (neste caso, a relação atribulada entre Rupert e Martim). A fluidez narrativa  —  dominante em Cidade Proibida  —  é a técnica literária mais difícil de encontrar na prosa portuguesa, ainda e sempre marcada por obscuras divagações metafísicas. Pitta tem outra característica invulgar entre nós: as suas frases são enxutas e limadas até ao limite. Pitta é um grande poeta, mas é na prosa que poderá marcar a diferença. Cidade Proibida é um bom romance de alguém que revela potencial para escrever grandes romances.