Nuno Vidal, O Independente, Lisboa, 1991.
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Eu salientaria sobretudo a inexistência daquela moleza autocomplacente que torna alguma da poesia recente num embalo enjoativo. Há uma força declarativa nos versos de E. P. que não se retrai mesmo em usar o calão mais lapidar. E são precisamente os poemas lapidares, os que cristalizam numa espécie de epigramas de pendor moral, a zona mais individualizada e mais conseguida desta poesia. Como exemplo disso mesmo veja-se este poema: «Temos que baste: a pátria à janela / e a vontade na cama.» É de facto quanto basta.