Cecília Barreira, rev. Colóquio-Letras, n.º 129-130, Lisboa, 1993.
Print

A poesia de Eduardo Pitta preenche o espaço de imaginário que se prende com o ritual da noite e da morte [...] É uma poesia contida que se espraia numa perplexidade existencial [...] Por vezes, nesta longilínea travessia pelos sentimentos e sua dissecação poética, perfila-se o desejo. Surge como que «aturdido, desapossado, atávico». É uma pulsão, nunca um sentimento. Os sentimentos, esses, reabrem-se com outro esplendor através da espessura da memória: «Nenhum de nós passeia impune / pelos retratos: fazem-nos doer / os recessos da memória» [...] A noite e o thanatos, o onírico e o intraduzível pulsam nesta poesia com uma força inusitada [...] Arbítrio é um livro de desafios, onde se reescreve o posicionamento de todos nós perante várias interrogações.