Jorge Henrique Bastos, caderno Cartaz, Expresso, Lisboa, 1999.
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Um dos desígnios mais marcantes desta poesia (e esta antologia pessoal dá bem a ideia) é a sua inequívoca pulsão para criar um espaço expressivo em que a linguagem actua de forma contida, a ocorrer desde os primeiros livros. As heranças simultâneas que escolhe regem-se não pela vivência exteriorizada, pelo contrário, o que predomina na dicção deste poeta é a procura de um auto-conhecimento interrogativo, a reflexão erótica, o atrito dos encontros e das perdas, e a apreensão do mundo. A presença constante do mundo anglo-saxónico imprime na sua poesia um selo dialógico que irá acentuar cadencialmente com inúmeros autores de sua eleição. O diálogo estabelecido não dramatiza a sua condição, enfrenta a memória e a sua deriva no mundo com corajosa lucidez, em consonância com a apurada percepção das coisas.