José Ricardo Nunes, Ciberkiosk, 1999, e rev. LER, n.º 48, Lisboa, 2000.
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Na poesia de Eduardo Pitta configura-se, então, um deliberado exercício de aprendizagem de economia discursiva através da qual se visa inverter o processo de desgaste das palavras. Por um lado, constrói-se um discurso poético rigoroso, tenso, em que os materiais são dispostos de forma muito contida, com base num reduzido conjunto de recursos verbais. Por outro lado, o texto poético é deixado como que em aberto, podendo despoletar um sentido dúplice, potencialmente outro [...] Entre as estratégias discursivas mais relevantes da poesia de Eduardo Pitta, encontramos as estruturas elípticas, afirmando-se e desenvolvendo-se as possibilidades de sentido a partir desses espaços brancos abertos no tecido verbal [...] A brevidade, e também a intensidade, da poesia de Eduardo Pitta, encontra um paralelo semântico na imagem do relâmpago.