Pedro Mexia, DNA, Lisboa, 2001.
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Algumas semelhanças e muitas diferenças encontramos em Persona, a estreia de Eduardo Pitta na ficção [...] O título e esta nota introdutória têm um grande grau de ironia, uma vez que a máscara (persona) nestas narrativas é a própria autobiografia, e que a semelhança com pessoas e factos é intencional e cuidadosamente arquitectada [...] um documento, em grande medida surpreendente, sobre as relações de poder e a política de costumes em finais do Império. Persona é, assumidamente, uma narrativa de aprendizagem sexual, de feição homoerótica, nomeadamente no confronto com as iniquidades ou as hipocrisias de instituições como a Escola e o Exército. São histórias da vida privada que também tocam profundamente a vida pública, tornando estes contos tão políticos como morais. Tal como na sua poesia [...] Pitta cultiva uma escrita sóbria, irrepreensível, e denota a influência de um meio anglo-saxóico e culto como aquele que existia nas elites moçambicanas [...] sem nostalgia nem demagogia [...] Persona é um livro de alguma crueza mas de leitura agradável, e sobretudo de extrema ironia e crueldade selectiva.