Maria Augusta Silva, Diário de Notícias, Lisboa, 2001.
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Três narrativas não longas, dois contos e uma novela: Marilyn, Kalahari e Pesadelo, primeira incursão do poeta Eduardo Pitta no terreno da ficção [...] Uma abordagem crua e desassombrada de um lado oculto das guerras, neste caso, da guerra colonial e do apartheid sul-africano; obra na qual se cumpre uma função crítica perante cenários vincadamente marcados pelo arbítrio e abusos de poder [...] A homossexualidade surge em Persona de uma forma singular nas letras portuguesas (e, sobretudo, na literatura pós-colonial), ao articular, contundentemente, um dado universo do colonialismo moçambicano com uma identidade gay [...] Eduardo Pitta, ele mesmo nos diz, «subverte as armadilhas da nostalgia amorosa, sexual e colonial» e espelha a decadência do Império sem qualquer espécie de retórica [...] Narrador comum às três narrativas: Afonso. Um olhar que perde a inocência e se faz largo sobre o cinismo político e social.