Helena Barbas, caderno Cartaz, Expresso, Lisboa, 2002.
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O livro Persona [...] foi louvado como um acto corajoso [...] Falar em Portugal de uma «escrita gay» é puro folclore [...] a obra é boa ou má. E Persona, enquanto texto literário, é insólito, original, de grande qualidade literária, onde o tema das diferenças vai muito além do meramente sexual. Constitui-se de facto como um pequeno romance na medida em que cada um dos contos tem por herói a personagem de Afonso, apanhada em três momentos-chave da sua vida: aos 12, aos 18 e aos 22 anos. A cada idade corresponde a narrativa de uma forma de iniciação. Três etapas de um caminho em direcção à maturidade marcadas pelos encontros, pelos espaços: a escola, uma viagem ao deserto, a vida de guerreiro. Trata-se de um percurso de crescimento e, apesar da brevidade, os episódios revelam-no como a versão moderna de uma educação sentimental. O herói move-se na alta-burguesia, retrata-lhe os tiques e os podres, o discurso tanto mais elegante quanto escabroso, reproduz a snobeira de um distanciamento muito «british» [...] Não percam.